A FÉ – II
A Fé pode mudar?
Para os modernistas, a Fé pode mudar, pois os dogmas são só a expressão de um sentimento e de uma necessidade religiosa. Devem, então ser adaptados e formulados de maneira nova, logo que mudem os sentimentos e a necessidade religiosa.
Ao contrário, se os dogmas exprimem de maneira infalível as Verdades de Fé, como ensina a Igreja, é evidente que não podem mudar pois o que era verdadeiro ontem não pode ser falso hoje, e vice-versa. Tanto quanto a verdade, a Fé é verdadeira e imutável. É por isso que São Paulo escreve: “Se nós mesmos ou um anjo vindo do céu vos anunciarem outro evangelho diferente deste que vos temos ensinado que seja anátema!” (Gal 1,8) “Jesus Cristo heri et hodie, ipse et in saecula – Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Heb 13,8).
Não há um progresso na Fé?
Um progresso da doutrina de Fé é possível somente no sentido de que as Verdades de Fé são, mas bem apreendidas e explicadas. Um tal desenvolvimento foi predito por Jesus Cristo à Sua Igreja quando disse: “O Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu nome, ensinar-vos-á tudo e recordar-vos-á tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,26).
O Espírito não pode ensinar à Igreja novas Verdades?
A Revelação acabou com a morte dos Apóstolos. Desde então, o Espírito Santo não ensina novas Verdades, mas faz a Igreja entrar sempre mais profundamente na Verdade trazida pelo Cristo. Verdades reveladas que, até uma época não tiveram mais um papel de segundo plana na vida da Igreja, podem, pois, passar ao primeiro plano em outra época. As controvérsias que opuseram a Igreja aos hereges a forçaram também a expor de maneira sempre mais precisa e mais clara as Verdades de Fé – tornando explícitas Verdades até então implícitas – mas sem nunca acrescentar nada ao Depósito Revelado aos Apóstolos.
Quais são as regras desse desenvolvimento da Fé?
O desenvolvimento da doutrina pode precisar o que foi ensinado no passado, mas jamais o contradizer, nem modificar. Não pode haver oposição. Uma vez que um dogma foi definido, não pode tornar-se falso mais tarde ou tomar um sentido novo.
Quando define um novo dogma, a Igreja não descobre novas Verdades?
Quando a Igreja define um novo dogma, não descobre novas Verdades, mas explica e põe destaque de uma nova maneira ao que, no fundo, sempre foi crido; é sempre “a mesma crença, o mesmo sentido e o mesmo pensamento.” O Concílio Vaticano I ensina claramente: “O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que eles façam conhecer sob sua Revelação uma nova doutrina, mas para que com Sua assistência, guardem santamente e exponham fielmente a Revelação transmitida pelos Apóstolos, quer dizer, o Depósito de Fé.” (DS 3070)
Várias religiões podem possuir a Verdade?
Do fato que as diversas religiões se contradizem entre si sobre pontos fundamentais, conclui-se que não pode haver várias que sejam verdadeiras. Uma só religião pode ser verdadeira, e é a Religião Católica. Deus Se revelou em Jesus Cristo, em não em Buda, nem em Maomé. E Cristo fundou uma só Igreja, que deve comunicar aos homens Seu ensinamento e Sua Graça, até o fim do mundo. A Fé no Deus trinitário, a Fé em Cristo e a Fé na Igreja formam, pois, uma unidade indivisível.
As diversas religiões se contradizem de verdade?
Ou Deus é Trino ou não. Se é Trino, todas as religiões não cristãs são falsas. Mas as confissões cristãs também se contradizem mutuamente: umas não creem na verdadeira divindade de Jesus Cristo, muitas não creem na presença real do Corpo e do Sangue de Cristo no Sacramento da Eucaristia, etc. Crenças tão opostas são incompatíveis.
Como podemos reconhecer que a Fé Católica é a Verdadeira?
Cristo provou a veracidade de Sua missão pelos milagres que operou. É por isso que diz: “Não credes que Estou no Pai e que o Pai está em Mim? Crede ao menos por causa de Minhas obras” (Jo 14,11). Os Apóstolos também se manifestaram por seus milagres: “Eles pregavam em todo lugar, o Senhor agia neles e confirmava a Palavra pelos milagres que a acompanhavam” (Mc 16,20). Os milagres são, pois, provas da missão divina da Igreja.
Pode-se estar certo da existência de milagres?
Sempre houve milagres na Igreja, e a existência desses milagres nunca foi tão certa como hoje, quando se pode, graças aos conhecimentos e meios de investigação científicos, excluir as explicações naturais com muito mais facilidade que no passado. A autossugestão e a alucinação não tem lugar aqui. Uma multiplicação de alimentos constatada por várias pessoas que não foram de nenhum modo influenciadas; a ressurreição de um morto; ou a cura súbita de um órgão quase completamente destruído não podem ser explicadas daquele modo. A Igreja não reconhece um milagre enquanto resta alguma possibilidade, ainda que mínima, de explicação natural.
Todos os milagres são de ordem física?
Ao lado dos milagres ditos “físicos” (fatos que são fisicamente inexplicáveis pelas forças da natureza), há também aqueles que se chamam milagres “morais” (fatos que são moralmente inexplicáveis pelas meras forças da natureza).
Dê-nos exemplos de milagres morais.
A difusão Cristianismo é um milagre moral, pois nenhuma explicação moral pode dar conta do fato de que doze pescadores sem instrução e sem influencia possam ter convertido, em pouco tempo, uma grande parte do mundo, e isso apesar da oposição dos ricos e poderosos. A santidade multiforme eu floresce sem interrupção na Igreja há dois mil anos é igualmente um milagre moral.
Os milagres provam as Verdades de Fé?
Os milagres não podem provar diretamente as Verdades de Fé, nem forçar a crer, pois então a Fé não seria mais a Fé, mas uma ciência. Eles mostram, no entanto, que a Fé não é uma confiança cega e sem fundamento, que ela não se opõe a razão, e que, ao contrário, não é razoável descrer!
Além das provas diretas de veracidade do Catolicismo, há provas diretas da falsidade do protestantismo?
Que as frações do Cristianismo não podem estar na Verdade deriva do simples fato de serem tardias divisões da Igreja de Cristo. Lutero não reformou a Igreja, como pretendeu, mas inventou novas doutrinas que contradizem aquilo em que os cristãos creram no passado. Os cristãos sempre estiveram convencidos, por exemplo, de que a Eucaristia só podia ser celebrada por um homem ordenado padre e que a Santa Missa é um verdadeiro Sacrifício. Como poderia ser verdadeiro pretender, de repente, mil e quinhentos anos depois, algo diferente? Como a Igreja Anglicana poderia ser a verdadeira, uma vez que ela deve a sua existência somente ao adultério do Rei Henrique VIII?
Pode-se, então, facilmente, encontrar a verdadeira religião?
Devemos constatar com o Papa Leão XIII:
“Reconhecer qual é a Verdadeira religião não é difícil a qualquer um que queira julgar com prudência e sinceridade. Com efeito, provas numerosas e estupendas; a verdade das profecias; a multidão dos milagres; a prodigiosa rapidez da propagação da Fé, mesmo entre seus inimigos e diante dos maiores obstáculos; o testemunho dos mártires e outros argumentos similares provam claramente que a única verdadeira religião é a que Jesus Cristo instituiu Ele mesmo e cuja guarda e propagação deu à Sua Igreja como missão.” (Immortale Dei)
Se é simples encontrar a verdadeira religião, como explicar que tantos homens na a reconheçam?
Se tantos homens não reconhecem a verdadeira religião é, sobretudo porque muitos pecam por negligencia nesse assunto. Não se preocupam em conhecer a Verdade sobre Deus, mas se contentam com os prazeres deste mundo, com costumes e supertições do meio em que vivem e que bastam para satisfazer seu sentimento religioso; eles não tem sede de Verdade. Muitos pressentem, além disso, que a verdadeira religião lhes exigirá sacrifícios que não desejam. Enfim, o homem é naturalmente um “animal social”: tem necessidade de ajuda em todos os domínios (físico, técnico, intelectual e moral) e depende muito da sociedade onde vive. Se esta é islâmica ou ateia (como a nossa), se a escola e as mídeas os afastam do Cristianismo (e, também, embrutecem-no para impedi-lo de refletir), ser-lhe-á muito difícil nadar contra a corrente.
A Fé é necessária para a Salvação?
A Sagrada Escritura ensina que a Fé é absolutamente necessária para se obter a salvação eterna. “Aquele que crer e for batizado será salvo; aquele que não crê será condenado”, diz Nosso Senhor (Mc 16,16). São Paulo ensina: “Sem a Fé é impossível agradar a Deus.” (Heb 11,6)
Qual é essa Fé necessária para a salvação?
A Fé necessária para a salvação não é qualquer fé, mas a verdadeira Fé, aquele que faz aderir de modo sobrenatural à verdadeira Doutrina revelada por Deus.
Essa necessidade da verdadeira Doutrina é visível na Sagrada Escritura?
A necessidade de guardar a verdadeira Doutrina é manifestada pelas advertências repetidas dos Apóstolos quanto aos incrédulos e aos hereges: “Um tempo virá em que os homens não suportaram mais a sã doutrina; mas, ao contrário, ao sabor de suas paixões e com o ouvido seduzindo-os ardentemente, dar-se-ão mestres em quantidade e desviarão o ouvido da Verdade para se entregar às fábulas.” (II Tim 4,3)
Aqueles que, sem culpa de sua parte, não aderem às Verdades Reveladas estão, pois, necessariamente perdidos?
Deus dá a todo homem a possibilidade de se salvar. Aquele que desconhece as Verdades de Fé, sem culpa de sua parte, obterá de Deus, num momento ou em outro, se fizer todo o possível para viver bem, a possibilidade de receber a graça santificante. Mas é evidente que aquele que, por sua culpa, não professa a verdadeira religião se perderá eternamente.
A Verdadeira Fé é, pois, de suprema importância?
Efetivamente. Não se trata, nessa questão, de uma vã controvérsia teológica, mas da salvação ou da perdição eterna das almas imortais.
Fonte: Catecismo da Crise na Igreja - Pe. Matthias Gaudron - FSSPX
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